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Memória e Identidade

História

Um clube com raízes em Murches
Direção · Órgãos Sociais

Cronologia

História do GRF Murches

Das raízes ao presente, uma leitura vertical do clube através dos seus marcos, da memória da comunidade e da evolução da sua identidade desportiva.

Onde tudo começou

1937

A génese: da tuna ao Grupo

O desmembramento da tuna musical da Aldeia de Juso motivou Augusto Sobrinho e Cipriano Cupido a constituir um grupo musical em Murches, de que o Jornal de Cascais dava conta ao registar que «está finalmente, em organização uma sociedade recreativa nesta localidade», na qual «já se encontram inscritos cerca de 40 sócios». Procurava-se, assim, colmatar uma das carências de que se ressentiam os habitantes da localidade, quase desprovida de espaços de sociabilização.

1937

Fundação do clube

«Aos vinte dias do mês de dezembro de mil novecentos e trinta e sete reuniu-se vinte e dois indivíduos de sexo masculino que fizeram a reunião para organizar um grupo no lugar de Murches, que lhe deram o nome de Grupo Musical e Familiar de Murches»: assim começa a ata da primeira reunião, no barracão da adega de Manuel dos Reis Cupido. Tendo a música como principal motivação, decidiu-se convidar Álvaro Santos para organizar um grupo musical: sob a sua direção dinamizar-se-iam aulas de música e criar-se-ia uma banda de jazz, que abrilhantava os dois bailes mensais do Grupo e atuava noutras localidades. Os primeiros estatutos, aprovados nesta data, definiam como objetivos «estabelecer uma ou mais escolas de música, representação e de qualquer outra modalidade recreativa» e «realizar bailes, teatros e outras diversões», com cotas mensais de 2 escudos.

«Estabelecer uma ou mais escolas de música, representação e de qualquer outra modalidade recreativa» e «realizar bailes, teatros e outras diversões»

Estandarte do Grupo
Estandarte do Grupo
1938

Presidente, bandeira e regulamento

Na primeira Assembleia Geral, Heliodoro Salgado assumiu a presidência, com Manuel Cupido como Vice-presidente, Cipriano dos Reis Cupido como 1.º secretário, João Ventura como 2.º secretário, Augusto Sobrinho como tesoureiro e Silvino Reis como vogais; para o Conselho Fiscal foram escolhidos Alfredo Gonçalves, Ezequiel Campanudo e Francisco Figueiredo. Em abril, o Jornal de Cascais noticiou a inauguração com «alvorada de foguetes», sessão solene e o hastear da bandeira tricolor do Grupo, «de fundo branco com uma lira verde e a legenda Grupo Musical e Familiar de Murches, bordada a encarnado», ao som do hino escrito por Álvaro Santos, regente do grupo musical. Em novembro, a necessidade de regular a atividade musical conduziu ao «Regulamento dos Músicos», com a secção das «Penalidades»: «todo o executante que cometa 3 faltas em cada especialidade (bailes, ensaios ou saídas) será punido com 3 meses de suspensão». Há ainda referência a um «Livro de Castigos».

A necessidade de regular a atividade musical conduziu à elaboração de um «Regulamento dos Músicos»

Orquestra do Grupo, c. 1940
Orquestra do Grupo, c. 1940
1939

Instrumentos a pulso

Regista-se em ata que o sócio n.º 4, Augusto dos Reis Sobrinho, emprestou 1.290 escudos «para a compra do saxofone», o mesmo sucedendo com o sócio n.º 9, Marcolino da Costa Carriço, que disponibilizou 675 escudos para a aquisição de um trompete; o sócio n.º 20, Luís da Silva Correia, venderia ao Grupo uma viola por 80 escudos. Assim se organizava o grupo musical. Em julho, um acidente de viação na Malveira com a camioneta que transportava os músicos para Alcoitão feriu o sócio n.º 87; o Grupo suportou as despesas médicas do sinistrado, bem como a pintura das «letras do Jazz Band» no veículo.

Trompete, c. 1940
Trompete, c. 1940
1957

O fardamento da orquestra

O Grupo organizou uma sessão solene para comemorar a estreia do fardamento da orquestra, bem como as novas estantes e bateria de jazz, sinal de uma banda em plena atividade duas décadas após a fundação.

1964

Prémio de Distinção nas Marchas

O jornal A Nossa Terra noticia a participação do Grupo nas Marchas Populares, integradas nas comemorações do 6.º Centenário da Vila de Cascais. Formou, então, 14 pares que, ao som da música composta pelo ensaiador Cirilo Bernardes, venceriam o Prémio de Distinção.

Marcha de Murches, 1964
Marcha de Murches, 1964
1972

Grupo Recreativo e Familiar de Murches

Aquando da integração na Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio, o Grupo alterou os estatutos, mudando a designação para Grupo Recreativo e Familiar de Murches. Os novos estatutos foram aprovados a 10 de março de 1973 por despacho do Governo Civil do Distrito de Lisboa, emitindo-se então o «Alvará de funcionamento n.º 6».

1980

A compra da sede

Aprovação da compra do edifício onde se encontrava instalado o Grupo, por 200.000 escudos, aos sócios António Cupido e Julião Gonçalves. A 31 de julho, a Câmara Municipal concedeu um subsídio de 380.000 escudos para a aquisição e para a reparação da sede.

1981

Os Moleiros de Murches

O Grupo decidiu constituir o Rancho Coreográfico Os Moleiros de Murches, dando forma própria à tradição folclórica que desde cedo marcou a vida do clube.

Rancho etnográfico do Grupo, 1985
Rancho etnográfico do Grupo, 1985
1982

Ciclismo e anos difíceis

O Grupo promoveu uma grande «prova de ciclismo para profissionais». No mesmo mês, foram suspensos «os bailes ou quaisquer espetáculos» devido às precárias condições da sede, até que se concretizassem as obras necessárias. Só a 31 de março de 1984 o Grupo retomaria estas atividades, com a organização do Baile da Pinha.

1983

Terreno para a nova sede

Foi celebrada a «escritura da doação» por Julião Gonçalves de uma parcela de terreno para a «construção da nova sede ou de qualquer obra de interesse público, nomeadamente Infantário, Escola, Casa de Cultura, Ginásio», mediante o pagamento de 100.000 escudos. Em 1985, a Câmara aprovou a permuta de um terreno que permitiria viabilizar a ampliação e requalificação da sede, num projeto pensado para a «cultura e recreio», o teatro, as marchas populares, as festas, os bailes e convívios, a sala de jogos e a biblioteca.

1988

1.º Torneio de Futebol Juvenil

O Grupo promoveu o 1.º Torneio de Futebol Juvenil, primeiro passo de uma aposta no desporto jovem que viria a marcar as décadas seguintes.

1990

Escola de Música, marchas e futebol de salão

O significativo número de alunos inscritos permitiu reabrir a Escola de Música, sob a direção do maestro Cirilo Bernardes, coadjuvado pelo associado Natálio Lourenço Gonçalves. Nesse mesmo ano, a Marcha exibiu-se nas Marchas de Cascais e o Grupo criou uma equipa de futebol de salão constituída por jovens da localidade.

Equipas de futebol do Grupo, c. 2000
Equipas de futebol do Grupo, c. 2000
1995

«Aniversário em tempos difíceis»

É o título da notícia do Jornal da Costa do Sol que reporta o estado de degradação da sede do Grupo, um retrato dos anos exigentes que antecederam a reconstrução.

1996

Festejos de Santa Iria e S. Mamede

O Grupo promoveu os Festejos em Honra de Santa Iria e de S. Mamede, mantendo viva a ligação às festas e tradições da localidade.

1997

Marcha, coro e grupo cénico

O Grupo informou a Câmara Municipal de que «está a organizar e ensaiar um espetáculo de rua com a formação de uma marcha popular, um grupo coral e um grupo cénico, a fim de realizar vários espetáculos».

1998

A sede reconstruída

Festa de inauguração da sede do Grupo, após «obras de reconstrução»: o desfecho de um processo que se arrastava há anos e devolveu à comunidade a sua casa.

2001

Palco, futsal e ambição

O Grupo estreou a revista à portuguesa Em Murches é que é bom. Em entrevista ao Jornal da Costa do Sol, o Presidente destacava o teatro, os bailes, o karaté, as setas e o futsal sénior feminino e juvenil, e projetava um pavilhão que reunisse condições para mais equipas e um ginásio de manutenção. Em setembro, celebrou-se contrato com o gabinete Munditraço para o projeto de um pavilhão desportivo.

Equipas de futebol do Grupo, c. 2000
Equipas de futebol do Grupo, c. 2000
2002

Meio século de banda

O plano de atividades enviado à Câmara Municipal dá conta de que o Grupo dispunha de «orquestra típica», «Cavalinho», banda «que se encontra a funcionar há mais de 50 anos», grupo cénico e escola de música.

2004

«Gil que és tu Vicente»

O Grupo estreou a peça Gil que és tu Vicente, com encenação de Rui Ribeiro, reafirmando a tradição de teatro amador que acompanha o clube desde a fundação.

2007

Novo projeto para a sede

Apresentou-se à Câmara Municipal um projeto de licenciamento para a sede, dado que os projetos anteriormente elaborados não tiveram sequência: mais um passo na longa caminhada pela casa do Grupo.

2013

O pavilhão gimnodesportivo

Um contrato programa entre a Câmara Municipal e a Cascais Próxima viabilizou a «construção do pavilhão desportivo pré-fabricado e arranjo do espaço confinante com o edifício em Murches». Inaugurado a 15 de setembro de 2013, permitiu a prática de hóquei em patins, futsal, basquetebol e voleibol, servindo também a Associação de Idosos de Santa Iria e o Jardim de Infância de Murches, com bancada amovível e lotação de cerca de 90 lugares.

Equipa de hóquei em patins, c. 2013
Equipa de hóquei em patins, c. 2013
2015

Memória em arquivo público

O Grupo depositou o seu arquivo para consulta pública no Arquivo Histórico Municipal de Cascais, no âmbito do PRADIM (Programa de Recuperação de Arquivos e Documentos de Interesse Municipal), abrindo quase oito décadas de memória à comunidade.

2018

Taça da Europa de Solo Dance

Em 2018, o clube atinge um dos momentos mais prestigiantes da sua história recente ao vencer a Taça da Europa de Solo Dance, afirmando a qualidade da Patinagem Artística do GRF Murches em contexto internacional. Para além da banda de música e de dois grupos cénicos, o Grupo promove Futsal, Hóquei em Patins, Patinagem Artística, Karaté, Ginástica de Manutenção e Danças de Salão, afirmando-se como casa de várias gerações e modalidades.

2022

Campeão nacional da 2.ª divisão

Em 2022, a equipa conquista o Campeonato Nacional da Segunda Divisão, num momento marcante da história recente do clube e símbolo da ambição competitiva construída ao longo dos anos.

2022 Campeão nacional da 2.ª divisão
2023

Primeiro jogo europeu em Waslum

Em 2023, o GRF Murches vive o seu primeiro jogo europeu, em Waslum, na Alemanha, num marco simbólico de projeção internacional e ambição competitiva do clube.

2026

Modernização do clube

O Murches entra numa nova fase de afirmação visual e digital, reforçando a ligação entre história, comunidade e uma imagem contemporânea capaz de projetar o clube para a próxima geração.

Fonte: Cascais: Associações com História 1886-1941, Câmara Municipal de Cascais. Imagens: AHMCSC/AASS/GRFM.